40% da população do Brasil é alérgica

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Doença pode sumir inesperadamente, assim como surgir


Pode-se dizer que a modernidade propiciou ao ser humano uma vida mais cômoda. É necessário, entretanto, ficar atento aos prejuízos ao organismo dos seres vivos. A incidência dos principais tipos de alergias, problema ignorado por muitos, cresceu cerca de 18% nos últimos dez anos, segundo pesquisas. No Brasil, uma criança em cada quatro sofre com algum tipo de alergia. Ampliando esse número, cerca de 40% da população nacional passa pela mesma situação. Além disso, a doença é responsável por 400 mil internações hospitalares e 2.500 óbitos, por ano.

De acordo com o alergologista e ex-presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai), qualquer pessoa pode ficar alérgica a qualquer coisa sem determinação de tempo. “É uma espécie de sensibilidade a uma proteína que não é reconhecida pelo organismo”, pontuou o médico. A sensibilidade à alergia depende, principalmente, da carga genética e da região.

O principal prejuízo causado pela alergia, a diminuição na qualidade de vida é o que repercute de forma negativa ao enfermo. “Algumas pessoas vivem permanentemente em crise, outras têm crises esporádicas. Em ambos os casos, a pessoa não dorme bem, fica cansada, não consegue respirar bem, precisa fazer uma dieta balanceada. A alergia traz uma péssima condição de vida”, explicou o médico.

Mudanças bruscas de clima e poeira em excesso são o ‘calcanhar de Aquiles’ para a estudante Joana Paula Fialho, de 21 anos. Alérgica de carteirinha, ela nem lembra quando desenvolveu a alergia respiratória com a qual é obrigada a conviver. “Antes, quando eu era menor, tinha muito mais crises. Hoje, a frequência delas é menor”, contou Paula, que chegou a fazer tratamento com imuniterapia específica, conhecida por vacina antialérgica, quando criança. “Por muito tempo não tive crises, mas hoje tenho que enfrentá-las novamente”, relatou.

Joana Paula não é a única vítima da alergia. Aliás, ninguém está imune. Assim como as alergias podem sumir inesperadamente, elas podem surgir da mesma forma. “O organismo de um pedreiro, por exemplo, pode ficar sensível ao cimento, assim como o de uma pessoa que come muito frutos do mar ou um de um mecânico a óleo e o de algumas mulheres a esmaltes”, colocou Walfrido. A prevenção se dá de acordo com cada caso clínico, assim como o tratamento.

“A alergia não tem cura porque é um estado genético, mas o controle dos sintomas permite que o paciente passe a ter uma cura clínica”, comentou o especialista, que orienta as pessoas a procurarem um alergologista para realizar um teste cutâneo, o principal exame detector de alergias, e fazer o tratamento de imuniterapia específica, quando o médico assim recomendar.
 
Marcela Alves

Fonte:
Folha de Pernambuco

Nenhum comentário:

Postar um comentário

 
| by Márcio Rodrigo ©2010