EUA: Nova lei da saúde beneficia os jovens

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Depois que Eric Heininger deixou seu emprego (e plano de saúde) para acompanhar os estudos de sua namorada em New Haven, Connecticut, ele quis realizar um exame físico, e resolveu ser voluntário em um estudo médico.


Ele enfrentou três dias de regimes de exercícios, exames de sangue e avaliação de pressão antes de ser aceito no grupo saudável de comparação para o experimento.

"Assim eu soube que estava saudável", disse ele.

Mas quando Heininger, de 24 anos, desenvolveu uma febre alta em março, depois de viajar ao Haiti em missão de ajuda, o tratamento gratuito não foi tão fácil de conseguir.

Assim como muitos jovens, ele esperou, temendo durante uma semana que pudesse ter contraído alguma perigosa doença tropical.

Ele não é uma exceção.

Quase um terço das 46 milhões de pessoas não seguradas nos Estados Unidos são jovens entre 19 e 29 anos - a faixa etária com maiores chances de ficar sem cobertura, já que muitos deles trabalham em empregos de meio período ou estágios.

Esse grupo ainda espera por benefícios substanciais com a expansão de cobertura promovida pela reforma da saúde nos Estados Unidos.

Segundo um relatório divulgado na semana passada pelo Commonwealth Fund, uma fundação privada com foco nas diretrizes da saúde, a maioria dos 13,7 milhões de jovens adultos que não estão segurados poderia ganhar cobertura quando a reforma entrar em força total, em 2014 - seja através de programas públicos como o Medicaid, ou comprando apólices privadas em câmbios competitivos de seguros estabelecidos pela lei.

"A reforma do tratamento acessível é, sob muitos aspectos, um presente de formatura para jovens adultos", disse uma autora do relatório, Sara Collins, vice-presidente do Commonwealth Fund.

O alívio deve vir mais cedo para 1,2 milhão de jovens, cujos pais possuem seguro-saúde, mas que saíram das apólices familiares quando se formaram no colegial ou na faculdade.

A partir do final de setembro, as seguradoras serão obrigadas a cobrir crianças em planos familiares até os 25 anos, e muitas empresas estão realizando a mudança agora - de forma que os recém-formados não enfrentem lacunas na cobertura.

No passado, três quartos dos jovens que estavam segurados em planos corporativos de seus pais perderam o seguro, ou tiveram de trocar de apólices quando se formaram na faculdade, com alguns deles ficando sem seguro por dois anos ou mais, segundo o relatório do Commonwealth Fund.

As famílias não terão de pagar a mais pelos jovens, disse Collins, explicando que os benefícios não podem custar mais do que "se eles tivessem 5 anos de idade".

Isso é um alívio para os recém-formados, como Heather Gray, de Phoenix.

Ela está ansiosa para retornar ao plano de sua mãe.

Recentemente, Gray teve de pagar US$ 600 por raios-x e consultas, quando foi a um centro de atendimento reclamando de dores nas mãos.

"Antes eu nunca sabia exatamente o custo real, pois tudo era pago pelo plano da minha mãe", disse Gray, de 23 anos, que trabalha em dois empregos de meio período (sua mãe, funcionária do corpo de bombeiros, recebe uma generosa cobertura médica).

"Eu só espero que os remédios funcionem, pois do contrário eles terão de fazer uma ressonância magnética - e isso é realmente caro".

Muitos jovens adultos serão cobertos através de outras provisões da reforma da saúde.

Cerca de 7,1 milhões, mais da metade do total, serão elegíveis para iniciar com o Medicaid em 2014 - porque possuem renda menor do que 133% do nível federal de pobreza, ou cerca de US$ 14.404 anuais para uma pessoa e US$ 29.327 para uma família de quatro indivíduos.

E até 5,6 milhões de jovens não segurados estarão qualificados para subsídios do governo caso comprem cobertura privada pelos câmbios de seguros; os subsídios serão disponibilizados a qualquer um que receba até 400% do nível de pobreza, ou US$ 43.320 por pessoa.

Como exemplo, uma pessoa de 25 anos que vive numa cidade de custo mediano e que ganhe US$ 21.660 anuais, ou 200% do nível de pobreza, poderá comprar seguros por US$ 1.365 ao ano, ou aproximadamente a metade de seu custo total.

É difícil afirmar se os jovens realmente farão isso ou escolherão correr o risco e pagar a multa, que aumentará em 2016 para US$695 ou 2,5% da renda, o que for maior.

"Já quebrei a cabeça com meu pai em relação a isso", disse Brandon Mendelson, de 27 anos, de Glens Falls, em Nova York, que tem problemas cardíacos e ficou sem cobertura por vários anos até conseguir um emprego com seguro.

"Eu dizia: 'Eu gostaria muito de ter, mas é tão caro que estaríamos morando na rua para ter um seguro-saúde - como isso poderia ser bom?'" A pressão dos pais pode persuadir muitos jovens a fazer um seguro: quase todos os adultos não segurados entrevistados para este artigo afirmaram que seus pais implicam com eles a respeito do seguro-saúde.

Alguns analistas dizem que haverá outros incentivos para comprar o seguro.

Para jovens mulheres, os planos deverão cobrir serviços de maternidade, uma importante necessidade durante os anos pré-maturidade - e possivelmente cobrirão também os contraceptivos, já que a maioria dos planos corporativos cobre o controle de natalidade, disse Judy Waxman, vice-presidente de saúde e direitos reprodutivos do Centro Nacional de Leis das Mulheres.

Com o tempo, ficar sem seguro-saúde pode se tornar menos aceitável, disse Linda Blumberg, membro sênior do Centro de Políticas de Saúde do Urban Institute.

"Levará algum tempo, pois o mundo não gira com uma moeda", afirmou Blumberg.

"Eu acredito, porém, que o país começará a mudar sua cultura, de forma que as pessoas entenderão que o esperado - a regra - é que todos deveriam ter cobertura de saúde".

Fonte:
Yahoo Notícias

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