A maioria das empresas ainda não associa queda de produtividade com noites mal dormidas de seus funcionários - um problema cada vez mais freqüente:São muitas as histórias de tirar o sono. A empresária Simone Freire, por exemplo, começou com a mudança de sede de sua firma e o acúmulo de projetos.Dona de uma agência de conteúdo digital, ela antes dormia 9 horas por noite, mas há seis meses não consegue pregar os olhos por mais de seis horas. “E o sono é leve e entrecortado”,lamenta. De madrugada, uma agenda mental ainda costuma batucar na sua cabeça, despertando-a com a lembrança de compromissos para o dia seguinte. A falta de um descanso adequando afeto a boa memória que Simone tinha no ambiente de trabalho.
A história de Luiz Augusto Costacurta Junqueira Junqueira, CEO do Instituto MVC, da área de educação corporativa, é ainda mais angustiante. Ele tem problemas de sono há 30 anos.Apesar de adormecer rapidamente, apresenta sono leve, de baixa qualidade. Já fez quatro polissonografias, exame que observa o padrão do sono por meio de sensores colados ao corpo, e descobriu que tem apneia- distúrbio que provoca parada respiratória da pessoa enquanto dorme. “De uma escala de o a 30 para medir o problema, chego aos 11”, conta. Para evitar que a falta de repouso atrapalhe suas atividades durante as oito horas do expediente, incluindo uma extensa agenda de viagens, Costa Curta Junqueira procura permanecer na cama por mais tempo pela manhã, até as 9h, e só marca reuniões para o período da tarde. Mesmo assim, ainda obrigado a dar uma cochilada escondida no escritório. “sinto muito sono entre as 14h e 15h”, revela.
A apneia também incomoda o descanso noturno de Flávio Argay, dono de uma empresa que organiza eventos em todo Brasil. “ Acordo muitas vezes durante a noite”, diz o executivo, que igualmente passou por uma polissonografia. Para piorar a situação, Argay muitas vezes é obrigado a passar noites em claro no trabalho. Ele Coordena a montagem de eventos durante a madrugada e gerencia mais de cem funcionários.” Quando consigo dormir, acordo cansado e ainda sinto sinto sono durante a manhã”
A dificuldade d e dormir à noite já o obrigou até a desmarcar reuniões. Agora vai tentar mudar a rotina com uma cirurgia de correção de desvio do septo nasal, que normalmente atrapalha a respiração e aumenta a predisposição a roncos e traz dificuldades para dormir.
Segundo o médico e pesquisador Marco Túlio de Mello, os problemas relacionados com transtornos do sono esta cada vez mais freqüentes.Na década de 80, a queixa atingia 76% da população da cidade de São Paulo. “Agora, estamos em patamar próximo a 87% da população”, compara o especialista, que comprara o especialista, que é professor de medicina e biologia do sono, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e coordenador do Centro de Estudo Multidisciplinar em Sonolência e Acidentes (Cemsa), que oferece suporte para empresas para diagnóstico e tratamento de distúrbios do sono. Em 2009, a Unifesp divulgou um estudo realizado com 2,3 mil pessoas revelou que as mulheres levam mais tempo para dormir, mas passam mais tempo em sono profundo. Já os homens tem mais tempo nas fases iniciais do sono e tem repouso prejudicado com a freqüência por conta de problemas como ronco e apneia.
No ano passado, Philips Eletronics apresentou um estudo feito a base na análise de sono d e2,5 mil executivos dos EUA, Reino Unido, Holanda, Alemanha e Japão que apontou quase 75% deles não dormiam o tempo necessário. Para 40% do grupo as preocupações relativas ao trabalho foram apontadas como o principal motivo para a perda do sono.E para 61% da mostra a falta de repouso provocou algum impacto negativo durante o expediente. Em média, mais de 6 dias úteis por ano foram afetados por noites insones. Segundo a White Martins, que fabrica equipamentos para o tratamento da apneia, o problema atinge cerca de 3% da população mundial. A empresa informou que a venda dos dispositivos registrou um aumento de 30% nos últimos dois anos.
O neurologista Shigueo Yonekura, do Instituto de Medicina e Sono de Campinas e Piracicaba, que atende cerca de 200 pacientes por mês, relata que executivos atendidos em seu consultório costumam reclamar de sensação de cansaço, sonolência diurna, irritabilidade, perda de memória e falta de concentração após uma noite mal dormida. Isso quando não levados à depressão.
A apneia pode ser causada por fatores como obesidade e acúmulo de gordura na região do pescoço, obstrução nasal,usos de sedativos e de álcool. Há outros fatores que atrapalham o sono, com problemas familiares e profissionais, pouco tempo para atividades físicas e aumento de peso, segundo Mello. Ele explica que o tempo ideal para uma boa noite de sono é 7 horas e 30 minutos, mas há pessoas que não precisam ultrapassar 6 horas e 30 minutos, e outras que precisam, biologicamente, precisam de mais de 9 horas. “O ideal é ter um horário de deitar e levantar”
De acordo com a neurofisiologista Stella Tavares, da área de distúrbios do sono do Hospital Israelita Albert Einstein, é preciso ter um tempo livre para relaxar à noite., em casa, depois do expediente. “já atendi um executivo que antes de dormir costumava responder aos emails que não conseguia ler durante o dia; ficava ligado, dormia a tarde e acordava cedo”.
Para médica, dormir uma hora a menos todas as noites pode acarretar sonolência durante o dia e aumento da irritabilidade. “ Boa parte dos executivos é sedentária e apresenta ganho d e peso, que favorece distúrbios associados à apneia”.
Os especialistas dizem q a maioria das empresas no Brasil não relaciona a boa qualidade de sono de seus funcionários, sobretudo os que ocupam cargos decisórios, com a produtividade da companhia. Assim faltam iniciativas para acalmar as noites mal dormidas.
Pelo menos cinco grandes empresas procuradas por Executivo de Valor não tem nenhuma política interna para estimular a qualidade de sono do quadro pessoal.”Pequenas e grandes companhias não dão muita importância ao assunto e esquecem que um melhor sono de seus executivos pode ser produtivo à empresa”, diz Yonekura. “ Reconhecer a qualidade do sono do corpo funcional é um investimento, não um custo” , concorda o professor Marco Túlio de Mello.
De acordo com o consultor Fernando de Andrade, especializado em produtividade, funcionários de grandes empresas que trabalham com várias atividades diárias devem se organizar. “Por mais pesada que seja sua agenda, um executivo precisa planejar o seu tempo e programar melhor os horários de seus compromissos”, afirma. “ Os profissionais mais produtivos geralmente são aqueles que respeitam limites físicos, e o sono é um deles”
Os Dez Mandamentos para uma boa noite de descanso :
1 Ter horário regular para dormir e despertar;
2 Ir para cama somente na hora de dormir;
3 Dormir em um ambiente saudável;
4 Não tomar álcool perto da hora de dormir;
5 Não tomar medicamentos para dormir sem orientação médica;
6 Não exagerar no consumo de café,chá e refrigerantes;
7 Praticar atividade física, mas nunca perto da hora de dormir;
8 Jantar moderadamente em horário regular;
9 Não levar problemas para a cama;
10 Fazer atividades relaxantes após o jantar.
Jacilio Saraiva
Fonte:
Revista Executivo de Valor - Abr /2010
http://www.hospitalarsc.com.br/
Hospitalar Santa Celina
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