Reumatologistas se descredenciam no Espírito Santo

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A presidente da Sociedade de Reumatologia do Espírito Santo, Valéria Valim, disse nesta terça-feira (04) que a defasagem na remuneração e a falta de reconhecimento dos profissionais de reumatologia, entre outras razões, estão levando os profissionais desta especialidade médica ao descredenciamento dos convênios de saúde no Espírito Santo.


Segundo ela, ao menos 50% dos profissionais reumatologistas já deixaram os planos de saúde por considerarem a remuneração incompatível com a boa prática da medicina. Valéria Valim disse que existem apenas 25 profissionais especialistas no Estado e o número de pacientes que demandam atendimento é grande.

Ela esclareceu ainda que atualmente os planos repassam entre R$ 25 e R$ 42 por consulta, gerando um lucro real médio de apenas R$ 8 o que, segundo ela, inviabilizaria a manutenção de um consultório, face aos custos de operação e encargos que incidem sobre ele.

Por conta disso, a presidente da Sociedade de Reumatologia diz que muitos médicos estão preferindo manter apenas as consultas particulares, que custam entre R$ 80 e R$ 250.

Entrevista à Rádio CBN: Presidente da Sociedade de Reumatologia do Espírito Santo Valéria Valim

A presidente mostrou preocupação ainda com a indicação de médicos não especialistas, por parte dos planos de saúde, para o atendimento dos pacientes. Isto constitui um risco, pois pode acontecer de algum paciente consumir medicação inadequada ao problema apresentado, ou ter o diagnóstico incorreto para o problema que apresenta, prejudicando o processo de recuperação do paciente.

O reumatologista cuida das doenças do sistema locomotor que causam dores músculo-esqueléticas e afeta ainda órgãos internos como o coração, os pulmões e os rins, entre outros. "Por serem doenças sistêmicas potencialmente graves ou causarem dor crônica, a consulta tem de ser mais detalhada. O médico precisa fazer uma série de investigações para chegar a um diagnóstico mais preciso. A avaliação deve ser feita por um especialista, para evitar tanto a incapacidade articular, quanto acometimento de órgãos nobres que possam levar risco à vida.", avaliou Valéria.

Preocupação

A preocupação da presidente da associação aumenta quando leva em conta que uma pesquisa divulgada pelo serviço de reumatologia do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam/Ufes) indica um percentual de 30,4% dos moradores da Grande Vitória, apresentariam algum tipo de dor. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas a artrite reumatóide atinge 1% da população mundial e cerca de 30 mil capixabas.

Mais de 120 doenças reumáticas, incluindo, LER, Osteoporose, Fibromialgia e Lúpus, têm quadro semelhante à dor símples. Além disso, segundo a pesquisa da Hucam, as dores na região lombar são as que mais atingem os capixabas: 7,6% da população. Depois dela, a maior prevalência é de dores musculares difusas e Fibromialgias, com 5,5%. Em seguida, a Artrose, com 5%; as Tendinites, Bursites, e Sídrome Miofacial, com 4,5%; a Artrite Reumatóide, com 0,2% de incidência. As dores sem identificação de procedência ou a causa, respondem por 21,6% dos casos.

Um dado que também preocupa e chama a atenção é que com o descredenciamento individual dos médicos. Hoje, na Unimed, por exemplo, existem apenas quatro reumatologistas credenciados na Grande Vitória e dois no interior, o que totaliza apenas seis profissionais para atender todo o Estado.

"A alta demanda de atendimentos torna urgente a organização de níveis de atenção, de programas de atendimento aos pacientes reumáticos, de contratação de mais reumatologistas pela rede pública", reforça Valéria Valim.

Para a presidente da associação, a população precisa estar consciente do que acontece e os convênios precisam estar abertos às negociações, para o estabelecimento de um valor mínimo, que em Vitória, está hoje, em aproximadamente R$ 80. O reajuste no valor pago pela consulta credenciada se justifica ainda mais quando se leva em consideração o atendimento diferenciado que deve ser dado a um paciente reumático, por serem doenças crônicas, que causam dor e grande demanda de atenção e vínculo.

O atendimento é um direito, e se o paciente não tem o atendimento pelo seu convênio, pode pedir o reembolso e é importante também que ele verifique no site da sociedade ( www.sores.com.br) se o profissional que está indicado pelo plano de saúde tem mesmo a especialidade. Todos os profissionais que fizeram especialização ou residência médica credenciada pelo MEC estão listados no site da associação.
 
Fonte:
Gazeta Online

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