RIO - Deitada de costas numa maca, Patrícia Abecassis não reclama quando o terapeuta gira seu pescoço para um lado e para outro, pressiona e estala sua coluna. Com pinçamento numa vértebra na nuca, ela recorre à quiropraxia, técnica de manipulação que alivia dores nas articulações e nos músculos, e que se refletem até em enxaqueca. A procura por quiropratas cresceu e atrai inclusive atletas, como o campeão de ginástica Diego Hypolito. Só que a técnica - ainda não regulamentada no Brasil - é cercada de polêmica, especialmente no Reino Unido. Pesquisadores afirmam que ela pode causar danos sérios. Para os críticos da quiropraxia, a pressão com as mãos sobre as vértebras apresenta riscos. O maior deles é o rompimento de artérias vertebrais e da dura-máter (membrana externa que envolve o encéfalo e a medula espinhal), além de fraturas, segundo o pesquisador Edzard Ernst, que publicou artigo sobre o tema na revista da Royal Society of Medicine, com base em 32 estudos anteriores e entrevistas com médicos e quiropratas. E há duas semanas a Associação Britânica de Quiropraxia perdeu uma batalha jurídica contra o escritor e jornalista Simon Singh, que num artigo no jornal "The Guardian", escreveu que há pouca evidência de que a quiropraxia alivia cólicas e asma em crianças. A associação alegava que Singh estava acusando os seus membros de métodos enganosos.
Sem entrar nessa polêmica, quiropratas brasileiros afirmam que a técnica, quando aplicada por profissionais reconhecidos pela Associação Brasileira de Quiropraxia (www.quiropraxia.org.br), é eficaz contra dores.
O terapeuta Plínio de Barros Barreto, formado na Cleveland Chiropractic College, diz que a técnica traz ótimos resultados em casos de hérnias, bloqueio articular, pinçamento de vértebras e dores de cabeça por tensão.
Médico deve autorizar as sessões com o quiroprata
- Antes, o paciente precisa ser liberado pelo seu médico. Hipertensão não controlada, cânceres que atacam os ossos e infecções são algumas das contra-indicações. Tentamos aliviar a dor com o mínimo de sessões e ensinamos exercícios para que a própria pessoa possa continuar o seu tratamento - diz Plínio - da equipe médica do Comitê Olímpico Brasileiro. - E podemos associar quiropraxia com acupuntura, massagem e RPG. - Há pessoas que fazem cursos de fim de semana, aprendem a estalar e dizem que são quiropratas. Nossa formação dura de quatro a cinco anos - comenta.
No caso do Diego Hypolito, saltos, giros e impactos forçam muito sua coluna. Na quiropraxia ele tem alívio da dor e faz exercícios para corrigir os movimentos que comprimem as vértebras. Segundo o médico Eduardo Bracher, que defendeu tese sobre quiropraxia, pacientes com queixas devem consultar o médico antes do quiroprata. Pode haver fratura prévia e a situação se agravar. Em pessoas com artrite e ossos frágeis a quiropraxia é contra-indicada.
Antônio Marinho
Fonte:
O GLOBO
www.oglobo.com.br/saude
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