Próximo presidente terá que resolver os problemas enfrentados por fatia da população, como falta de rede de saúde exclusiva
O Brasil tem hoje mais de 21 milhões de idosos. Um grupo que já representa mais de 10% da população brasileira. O país que antes era considerado jovem está cada vez mais amadurecido. Devido ao aumento da qualidade de vida e da redução das taxas de natalidade, a pirâmide etária brasileira se transformou mais rápido do que em nações desenvolvidas. Significa menos tempo para o governo se adaptar ao povo mais velho e suprir as necessidades dessa população exigente e mais vulnerável. Melhorias no sistema de saúde e previdência social são as demandas mais urgentes.
Na última década, políticas voltadas para a terceira idade começaram a ser discutidas. Em 2003, resultado de diversos debates e estudos, surgiu o Estatuto do Idoso. De acordo com o presidente do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso (CNDI), José Luiz Telles, a criação do estatuto mostrou-se eficaz, mas funciona apenas como um documento de referência que deve ser usado para direcionar políticas públicas que ainda precisam ser implementadas. "É também um instrumento para construção de uma identidade cidadã participativa e para o esclarecimento da população idosa", completa.
O chefe do Centro de Medicina do Idoso do Hospital Universitário de Brasília (HUB), Renato Maia, afirma que as questões abordadas pelo estatuto devem ser todas executadas. "Propostas como o direito a medicamentos, órteses e próteses ainda não foram totalmente concretizadas", reclama. Para o especialista, uma série de questões devem ser enfrentadas pelos próximos governantes em diversas áreas, mas principalmente na saúde e na previdência. "Os idosos fazem parte de um grupo vulnerável, precisam de mais atenção e apoio", diz.
"O próximo presidente vai ter que apresentar melhorias quanto à aposentadoria. Enfrentar uma revisão da política previdenciária, que tem que ser viável, mas sem reduzir o valor recebido pelos aposentados", explica. Maia acredita que a aposentadoria funciona como um redutor da pobreza. E completa: "O ministro da Previdência não pode ser um cargo político apenas, mas principalmente técnico. Se essa política não tiver um olhar para o futuro, pode causar grande insatisfação". Telles, por sua vez, vai além. Defende que o desenvolvimento sustentável do país deve ser mantido, para que a renda do aposentado fique para ele e não para o sustento de seus familiares. "Com emprego e assistência social, isso pode ser possível", sugere.
fonte:
Diário de Natal
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