Entenda por quê a desospitalização é uma tendência, conheça os motivos que levam a atenção domiciliar ser considerada um braço estratégico
Nossa casa é nosso refúgio. Há momentos em que nenhum outro lugar é capaz de nos proporcionar tamanha segurança, conforto e prazer. Há momentos em que o que realmente importa é a volta para casa. Quando se está doente, por exemplo, essa ansiedade aumenta, e muito. Feliz o paciente que pode continuar o tratamento num ambiente acolhedor e agradável como o próprio lar. E essa opção está cada vez mais possível. Em processo de crescimento e profissionalização, o número de pacientes atendidos pelo sistema de home care deve ultrapassar neste ano a casa dos 50 mil beneficiários por mês, segundo estimativas do Núcleo Nacional de Empresas de Serviços de Atenção Domiciliar (Nead).
Além disso, a partir de 2 de junho, entra em vigor o novo rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para cobertura mínima obrigatória dos planos de saúde. Dentre os 73 novos procedimentos está a possibilidade do paciente utilizar o serviço de internação domiciliar, desde que em substituição à hospitalar.
Para o presidente do Nead, André Luiz Cortez Minchillo, a iniciativa é um grande avanço para o setor, apesar de ainda faltar um detalhamento maior sobre a prestação do serviço, pois o texto está bastante abrangente e pode levar a interpretações equivocadas. "Ao contrário dos outros procedimentos incluídos nesta nova relação, a atenção domiciliar não era de conhecimento da população. Com a inclusão, permite-nos esclarecer com mais desenvoltura, através os aspectos positivos da internação domiciliar", diz.
Apesar das controvérsias, o sócio-fundador da Home Doctor, Ari Bolonhezi, acredita que o setor de atenção domiciliar tem muito o que comemorar, afinal, este é um passo decisivo para o reconhecimento de uma modalidade tão importante. "A cada dia o mercado percebe a atenção domiciliar como uma alternativa eficaz, não apenas para a redução de custos em saúde, mas principalmente como uma forma de humanização e personalização do atendimento, além de ser quesito estratégico para alavancar a sustentabilidade do setor de saúde", garante Bolonhezi.
Desospitalização
Na última década, o atendimento em saúde passou por grandes mudanças. O sistema todo vem se beneficiando não apenas com as inovações tecnológicas em termos de equipamentos, mas principalmente com os avanços da indústria farmacêutica, com a modernidade dos diagnósticos e com técnicas minimamente invasivas que abreviam sobremaneira a estada do paciente no ambiente hospitalar.
Procedimentos que antes exigiam algumas semanas de convalescença, agora requerem apenas alguns dias. Desta forma, os pacientes que antes eram obrigados a permanecer no hospital, hoje podem ir para casa mais cedo para complementar um tratamento sob supervisão, ou quando haja necessidade de procedimentos especializados ou de aparelhos de suporte à vida, ou, em casos extremos, apenas para cuidados paliativos. "Mais do que uma sequência natural da evolução terapêutica e da medicina, a atenção domiciliar é uma ferramenta para dar suporte a desospitalização", opina Bolonhezi.
"Não se trata de substituição do ambiente hospitalar, mas sim de integrar o home care no ciclo integral de cuidados, onde a continuidade do cuidar se dá idealmente em um ambiente mais agradável e em condições de segurança", explica Minchillo.
Cenário
Em 2025, o Brasil terá a sexta maior população idosa do mundo, segundo projeção do IBGE. De 1940 até hoje, a expectativa de vida no país aumentou em 60% e atualmente é de 71 anos contra 62 na década de 80. Logo, esta população permanecerá idosa por mais tempo, estando suscetível ao surgimento de doenças crônicas. Neste contexo, o home care surge como uma alternativa eficaz. Afinal, será que teríamos leitos disponíveis para todos os pacientes, se não tivéssemos o atendimento domiciliar?
Dividido em duas frentes, o trabalho de home care envolve a internação e/ou atendimento. O primeiro trata-se de um serviço prestado ao paciente como alternativa complementar à hospitalização, com a instalação da estrutura necessária, como equipamentos, materiais e medicamentos, além dos recursos humanos. Já o segundo caracteriza-se pela visita ou procedimento pontual e/ou periódico realizado na casa do paciente. Ambos são cobertos, em maior ou menor grau, pelo sistema público e privado de saúde.
O segmento no Brasil é extremamente dinâmico e está se diversificando em novas possibilidades de negócios. Embora sem fontes oficiais, os dados percebidos pelo setor acenam crescimento em todos os indicadores que se possam aferir. Pela previsão de Minchillo, o número de pacientes atendidos na atenção domiciliar deve crescer consideravelmente. Com esta expansão, espera-se que o setor movimente diretamente cerca de R$ 300 milhões em 2010. Se contarmos com o faturamento proporcionado pelas estruturas empresariais envolvidas na cadeia produtiva de serviços e insumos pode-se pensar em algo como R$ 500 milhões de reais por ano.
"Os gestores de saúde, de forma geral, estão mais convencidos dos benefícios que este atendimento traz quando bem indicado. Prova disso é que naquelas operadoras, que verticalizaram seus serviços, existe a internação domiciliar como oferta de planejamento terapêutico para os seus usuários", salienta Minchillo.
Estimativas indicam que existam cerca de 260 empresas em todo o País atuando neste mercado. A concentração se dá, principalmente, no eixo Rio-São Paulo, embora haja crescimento em outros estados devido à presença multicêntrica de algumas empresas que atuam em mais de um estado ou cidade. Quanto ao número de profissionais de saúde que estão alocados no setor, estima-se que 50 mil atuam nos diferentes postos de trabalho.
O presidente do Nead explica que a taxa de permanência hospitalar tem diminuído significativamente nos últimos anos. Pacientes em pós-operatórios de cirurgias eletivas, bem como em tratamento clínico estão recebendo alta hospitalar com indicação de continuidade em domicílio. " Falta ainda um maior esclarecimento aos gestores e ao corpo clínico dos hospitais a respeito dos serviços que já estão disponíveis para os seus pacientes. Mas estamos testemunhando um ligeiro crescimento de solicitações para home care partindo diretamente dos médicos assistentes, e não só dos serviços de auditoria", diz.
Luciana Leitão
Fonte: Saúde Business Web
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