Críticos dizem que Organização Mundial da Saúde exagerou em alertas sobre a doença
A diretora-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Margaret Chan, negou nesta terça-feira (8), em declaração pública, as acusações de que a entidade exagerou na gravidade do vírus Influenza A (H1N1), causador da gripe suína, o que permitiu que as companhias farmacêuticas alcançarem grandes lucros.
Ela disse que a decisão de declarar pandemia (epidemia de alcance global) foi baseada em "critérios epidemiológicos claramente definidos". A declaração é uma reação a um extenso artigo publicado pela revista científica British Medical Journal (BMJ), que enumera fatos e coloca em dúvida a imparcialidade das decisões da OMS com relação à pandemia da gripe A.
Na próxima sexta-feira (11) faz um ano da declaração da pandemia, quando os sistemas de saúde de todo o mundo entraram em alerta máximo e adotaram medidas excepcionais para enfrentar a propagação do vírus até então desconhecido. Na semana passada, Chan decidiu manter o estado de pandemia e determinou que o assunto seja analisado até o mês que vem, após receber uma recomendação nesse sentido do comitê de emergência da OMS.
Segundo a BMJ, alguns especialistas que participaram das decisões da OMS diante da gripe pandêmica receberam remunerações da indústria farmacêutica, concretamente da Roche e GlaxoSmithKline, fabricantes de remédios e vacinas contra a infecção. O artigo do jornal foi publicado em coordenação com outro na mesma linha produzido pelo escritório de jornalismo de investigação de Londres, que acusa a OMS de "falta de transparência" na gestão da crise.
Em resposta, Chan afirma que "o bom jornalismo de investigação expõe problemas e suas consequências".
– Potenciais conflitos de interesse são inerentes a qualquer relação entre uma norma, uma agência de regulação, como a OMS, e uma indústria regida pela rentabilidade.
A diretora-geral da instituição disse que "em nenhum momento, nem por um segundo, interesses comerciais interferiram nas suas decisões".
Com relação à acusação de que entidade sanitária gerou o pânico injustificado, Chan lembra que, em cada avaliação da pandemia, a OMS informou ao público que a maioria dos pacientes apresentava sintomas leves e a recuperação era rápida, sem a necessidade de tratamento médico.
Chan também nega que a decisão de manter em sigilo a identidade dos membros do comitê de emergência, que exerce de autoridade científica no tema da pandemia, teve o objetivo de "encobrir suas deliberações e decisões".
– Seus nomes serão publicados quando o comitê terminar o trabalho. Ou seja, quando a declaração de pandemia for reduzida.
Fonte:
R7
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OMS nega que laboratórios tenham influência em decisões sobre a gripe suína
terça-feira, 8 de junho de 2010
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