A música “Beijinho Doce” foi a escolhida pela dona de casa e cuidadora Elza Calhado para colocar em prática a musicoterapia e ajudar o marido Valdemar Calhado, 72 anos, que há quatro anos apresenta as sequelas de um AVE (Acidente Vascular Encefálico), mais conhecido como derrame cerebral. Valdemar é assistido por uma equipe de home care composta de auxiliares de enfermagem, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, enfermeiro e médico.
Elza aprendeu a técnica - que consiste em apresentar aos doentes suas canções preferidas e alegres com o objetivo de ajudar na sua recuperação - durante encontro entre cuidadores, familiares e equipe de assistência domiciliar promovido pelo Grupo Hospitalar Santa Celina. Cuidador é a pessoa designada pela família para colaborar no tratamento do paciente e se responsabilizar pelos cuidados do dia a dia.
“Nosso objetivo é promover a integração e, ao mesmo tempo, oferecer ferramentas aos cuidadores que possam contribuir para uma melhor qualidade de vida de nossos pacientes”, explica Lucienne Carvalho M. Giusti, Gerente de Processos do Grupo Hospitalar Santa Celina. A empresa realiza o evento há 10 anos sob a coordenação da área de Serviço Social.
O último, ocorrido no mês de novembro, reuniu mais de 50 pessoas que cuidam de pacientes, familiares ou não, e profissionais do grupo. O tema foi “Cuidar Musical”. Ministrado pela musicoterapeuta Julia Lazzarini, foram desenvolvidas atividades relacionadas à discriminação de sons, ritmos e percepção de emoções a partir de músicas, canto e dança. “O foco do meu trabalho é a vivência com canções, que foram escolhidas pelos próprios participantes. O objetivo é incentivar de alguma forma o prazer no paciente e ajudar na sua recuperação”, explica Julia.
Para Elza Calhado, “foi muito importante entender um pouco sobre os benefícios da música e de que forma é possível usar essa técnica de musicoterapia no dia-a-dia”. Outro aspecto importante citado por ela foi a possibilidade de trocar experiências com outras pessoas que se encontram na mesma posição de cuidador.
Já a cuidadora Selma das Graças Moraes optou por músicas sertanejas, as preferidas de Flavio de Abreu, 88 anos, que encontra-se acamado em decorrência de dois AVCs (Acidente Vascular Cerebral) e de doenças como DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), Alzheimer e diabetes, e também é assistido por uma equipe multidisciplinar de home care. Selma, que há seis anos cuida de Flavio, “adorou o encontro, principalmente por ter apresentado uma técnica de musicoterapia fácil de aplicar diariamente”. “Tenho certeza de que o Flavio está adorando isso pois aprecia muito a música”, diz.
“Acredito que a musicoterapia realmente pode fazer com que o paciente desvie por alguns instantes sua dor para a música”, afirma a cuidadora Ana Maria Canhisaris. Ana também é professora de dança para idosos. Durante o evento do Grupo Hospitalar Santa Celina, Ana teve a oportunidade de aplicar seus conhecimentos de dança entre os cuidadores e profissionais de saúde presentes. “Com a dança, trabalhamos a articulação, circulação, musculação e memória, sempre de forma divertida, o que ajuda na produção da endorfina e da serotonina”, explica.

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